Última atualização: outubro de 2026 · Leitura: 7 min
Resposta rápida: a energia usada para carregar o carro é de quem usa o carregador, não do condomínio. Segundo o Secovi-SP, esse gasto não pode ser dividido entre todos os moradores. Para isso funcionar, o prédio precisa de medição individual: o carregador ligado ao medidor da própria unidade, um medidor dedicado na vaga ou carregadores inteligentes que registram o consumo de cada usuário. A infraestrutura coletiva, quando existe, é decidida e dividida em assembleia.
A conta das áreas comuns subiu. Ninguém trocou a bomba, ninguém instalou ar-condicionado no salão de festas.
Mas dois moradores compraram carro elétrico. E carregam numa tomada da garagem.
(Cenário ilustrativo.) É o tipo de aumento que ninguém consegue explicar na assembleia, porque ninguém mediu. E é o tipo de conflito que mais desgasta síndico e conselho.
Quanto um carro elétrico consome por mês
Um carregador de 7 kW usado todo dia soma de 150 a 250 kWh por mês, dependendo do carro e de quanto ele roda.
Com tarifa residencial entre R$ 0,80 e R$ 1,10 por kWh (uma estimativa, porque o valor muda por distribuidora, bandeira e impostos), dá de R$ 120 a R$ 275 por mês, por carro.
Agora multiplique pelo seu prédio:
| Carros elétricos no prédio | Consumo estimado (kWh/mês) | Custo estimado (R$/mês) | Se fosse para o rateio de 60 unidades (R$ por unidade) |
|---|---|---|---|
| 2 | 300 a 500 | 240 a 550 | 4 a 9 |
| 5 | 750 a 1.250 | 600 a 1.375 | 10 a 23 |
| 10 | 1.500 a 2.500 | 1.200 a 2.750 | 20 a 46 |
Com dez carros, quem não tem carro elétrico pagaria até R$ 46 por mês pela recarga dos vizinhos. É por isso que o rateio não para em pé: nem juridicamente, nem na assembleia.
O que diz a regra
O Secovi-SP orienta que o gasto com recarga não seja dividido entre todos os moradores. Em São Paulo, a Lei 18.403/2026 garante ao condômino o direito de instalar o carregador às próprias custas, e o consumo vai junto. Fora de SP, a regra de cobrança costuma ser definida no regimento interno ou em assembleia. O detalhe das regras por estado está em Lei do carregador elétrico em condomínio: o que vale em 2026.
Três jeitos de separar o consumo de cada um
| Modelo | Como funciona | A favor | Atenção |
|---|---|---|---|
| Ligação ao medidor da unidade | O carregador puxa energia do quadro do próprio apartamento | Cobrança automática, sem cálculo do condomínio | Depende da distância até a vaga e da folga da unidade; cabo longo encarece |
| Medidor dedicado na vaga | Um submedidor registra o consumo de cada carregador ligado à rede comum | Fácil de entender e de conferir | Alguém precisa ler, calcular e cobrar todo mês |
| Carregador inteligente com identificação | Cada usuário libera a recarga por app ou cartão; o sistema gera relatório por pessoa | Relatório pronto; permite gestão de carga | Exige plataforma e, em geral, mensalidade |
Não existe modelo certo para todo prédio. Depende de onde ficam as vagas, de quanto sobra de capacidade e de quantos carros você espera ter nos próximos anos.
Infraestrutura coletiva: quem paga o caminho até a vaga
Quando vários moradores querem carregar, costuma fazer sentido o condomínio montar uma base comum (quadro dedicado, cabeamento principal, gestão de carga) e deixar só o consumo na conta de cada um. Especialistas recomendam exatamente essa separação entre infraestrutura coletiva e consumo individual.
O custo dessa base é decidido em assembleia. Os formatos mais comuns:
- Rateio entre quem aderir, com cota de entrada para quem entrar depois
- Investimento do condomínio, como valorização do imóvel, com cobrança pelo uso
- Operador terceirizado, que instala sem custo e paga uma parte ao condomínio. No Rio, um condomínio fechou esse modelo: a empresa ressarce a energia usada e repassa 5% sobre a utilização
O custo que não aparece no mês: a demanda
Em condomínios atendidos em média tensão, a conta não cobra só energia. Cobra também a demanda contratada: a potência máxima que o prédio pode puxar da rede. Se o pico passa do contratado além da tolerância, o que sobrou é cobrado a uma tarifa de ultrapassagem, mais cara.
Vários carregadores ligados ao mesmo tempo podem empurrar o prédio para essa faixa. E esse custo não tem dono: cai na conta comum. O jeito de evitar é a gestão de carga, que a gente explica em O prédio aguenta carregadores?.
Checklist para levar à assembleia
- Diagnóstico da capacidade elétrica e da demanda atual
- Modelo de medição escolhido e quem faz a leitura e a cobrança
- Quem paga a infraestrutura comum e como entra quem aderir depois
- Regra para custos de demanda e ultrapassagem
- Quem responde por danos e pela manutenção dos equipamentos
- Proibição de recarga em tomadas comuns da garagem
Para a visão completa do tema — lei, normas, capacidade e passo a passo —, veja o guia do carregador de carro elétrico em condomínio.
Perguntas frequentes
O condomínio pode ratear a energia do carregador entre todos? Não é o recomendado. O Secovi-SP orienta que o gasto com recarga não seja dividido entre todos os moradores. O consumo deve ser medido e cobrado de quem usa.
Quanto custa por mês carregar um carro elétrico em casa? Com consumo de 150 a 250 kWh por mês e tarifas entre R$ 0,80 e R$ 1,10 por kWh, a estimativa fica entre R$ 120 e R$ 275 por mês. O valor real muda por distribuidora e perfil de uso.
Como medir o consumo de cada carregador no condomínio? Ligando o carregador ao medidor da unidade, instalando um submedidor por vaga ou usando carregadores inteligentes que identificam cada usuário.
Carregadores podem aumentar a demanda contratada do condomínio? Podem. Vários carros carregando ao mesmo tempo elevam o pico de potência, o que pode gerar cobrança de ultrapassagem. A gestão de carga evita isso.
A conta das áreas comuns anda subindo sem explicação? O diagnóstico elétrico gratuito da First Energy mostra para onde a energia do prédio está indo e qual modelo de medição combina com o seu condomínio. Atendemos condomínios na Região Metropolitana de São Paulo, na Baixada Santista e na Grande Campinas. Se fez sentido, o próximo passo é simples:

